É provável que já se tenha sentido constrangido(a) por causa do modo como abordou outra pessoa:

“– Tão bonita. Como é que se chama?

– É um menino e chama-se João.”

Ou talvez não tenha gostado das palavras escolhidas por outrem ao dirigir-se a si:

“– O seu marido virá consigo?

– Sou solteira, virei com a minha irmã.”

Já pensou nas oportunidades que poderá ter perdido por ter escolhido mal as palavras?

“– É sempre melhor trabalhar com empresas nacionais, não é verdade?

– Orgulhamo-nos da nossa origem finlandesa. Assim sendo, não fará sentido sermos parceiros de negócio!”

No sentido inverso, quantas vezes foi bem-sucedido(a), porque soube adaptar a sua forma de comunicar à situação e ao público que tinha diante de si?

 

O poder da comunicação

A forma como comunicamos é um meio poderoso, capaz de definir as nossas relações interpessoais, o nosso papel na sociedade e o nosso futuro. Por isso, é cada vez mais importante – e exigido pela população em geral – comunicar de forma que nenhuma pessoa se sinta posta de parte ou seja referida de forma ofensiva.

Visto que a comunicação tem a capacidade de moldar atitudes, perceções e comportamentos, refletindo o mundo em que vivemos (e criando memória do mesmo), é importante que a própria linguagem modele o futuro que pretendemos ter.

Mesmo que não tencione ter cuidado com a forma como se comporta e comunica na sua vida pessoal, esta atenção é fundamental no meio laboral, visto que a comunicação e a linguagem são as ferramentas de trabalho da maioria das pessoas (do café ao departamento de marketing, passando pelos transportes ou pela informática). Neste tipo de ambientes, as palavras e as imagens devem ser pensadas de forma não discriminatória e com vista à não perpetuação de preconceitos.

O que é se entende por “preconceito”? Preconceito é uma opinião favorável ou desfavorável sobre algo, formada previamente ao contacto, sem fundamento sério ou análise crítica, podendo ser expresso por um sentimento hostil e por atitudes de intolerância.

À primeira vista, pode parecer difícil comunicar colocando todas as hipóteses e de forma a não discriminar ninguém. No entanto, é possível!

 

Como comunicar de forma inclusiva

Alguns dirão que, em Portugal, basta utilizarmos o masculino plural (“Os presentes ouviram o discurso.”), mas é um pouco mais do que isso. Para comunicar de forma inclusiva, devemos:

– Neutralizar ou omitir o género: “A população portuguesa tenta incluir todas as pessoas.” em vez de “Os portugueses tentam incluir todos.”;

– Especificar as opções: “Os alunos e as alunas da turma presentes…” em vez de “Os alunos presentes…”;

– Colocar ênfase na pessoa e não nas suas singularidades ou características (nacionalidade, cultura, religião, idade ou capacidades): “A estrela de cinema com bipolaridade começou a sua carreira como dentista.“ em vez de “A estrela de cinema bipolar começou a sua carreira, como a maioria dos atores, noutra profissão, neste caso, admire-se, como dentista.”

A comunicação inclusiva procura, assim, utilizar uma linguagem isenta de estereótipos e expressões humilhantes, pejorativas e discriminatórias para que todas as pessoas se sintam bem-vindas e apreciadas.

 

O papel do audiovisual

Na era da imagem e do vídeo, a comunicação audiovisual apresenta-se como um importante mecanismo de inclusão por possibilitar a inserção de: legendas adaptadas para pessoas com deficiência ou outras necessidades especiais, conteúdo áudio, língua gestual, cores e todos os tipos de grafismos imagináveis. Estas ferramentas enriquecem a mensagem e fazem com que esta chegue a mais indivíduos.

Além dos ajustes na forma, é possível contribuir para a inclusão ao trabalhar os próprios conteúdos, de modo a retratar os diversos aspetos da diversidade humana. Por exemplo:

– Tendo cuidado na combinação de imagens com textos – evitando estereótipos (afinal de contas, as portuguesas têm bigode!);

– Representando diferentes:

  1. Géneros (sem que os meninos estejam de azul e as meninas de cor-de-rosa);
  2. Idades (sem que os Millennials sejam “isto” e os Xennials sejam “aquilo”);
  3. Origens étnicas (sem que um índio esteja nu ou um caucasiano represente um homem de negócios);
  4. Deficiências (sem que as limitações sejam limites);
  5. Convicções religiosas ou outras (sem que um praticante de ioga seja budista e um hippie seja ateu);
  6. Orientações sexuais (sem que um homossexual seja libertino ou um não binário seja exuberante);
  7. Nacionalidades (sem que as portuguesas tenham bigode – exceto se for de leite ou de cerveja).

 

Será mesmo possível erradicar preconceitos?

Eliminar todos os preconceitos sobre o aspeto exterior ou comportamental dos indivíduos é uma tarefa difícil para o ser humano, que está habituado a categorizar informação e a organizá-la por padrões. Ainda assim, a nossa expressão escrita, oral ou visual será sempre mais inclusiva se:

– Evitarmos a associação entre imagens e ideias que perpetuem estereótipos, de modo que os recetores da mensagem criem novas imagens e não façam associações precipitadas, limitativas e limitadoras;

– Tentarmos garantir que todas as pessoas se sintam representadas.

 

A comunicação inclusiva é uma temática extensa e trabalhosa (ainda em construção), que todos os dias tenta encontrar formas de incluir mais e mais pessoas.

Com colaboradores e clientes presentes um pouco por todo o mundo, esta é uma área à qual a SMARTIDIOM presta especial atenção, definindo ações que proporcionem um ambiente colaborativo e promovam a diversidade. E vocês, como é que não excluem ninguém?