Ser Gestor de Projetos (GP) pode dar algumas dores de cabeça. Por detrás de uma tradução que lhe é solicitada, existe todo um trabalho de gestão exigente, que requer rigor, disciplina e organização. Neste sentido, existem alguns aspetos que o podem ajudar, enquanto tradutor, a simplificar a vida do seu GP e, por consequência, a tornar a execução do projeto mais rápida, eficaz e fluida. Ao receber o seu projeto da SMARTIDIOM, pedimos-lhe que tenha em consideração os pontos seguintes:

 

Na fase de atribuição do projeto ao tradutor:

 

  1. É essencial que, ao receber uma proposta de tradução, o tradutor analise ao pormenor os detalhes da tarefa que lhe é pedida. É importante analisar o texto de partida e entender se está ao alcance do seu campo de conhecimentos e se poderá realmente fazer um bom trabalho. Em início de carreira, pode surgir a tentação de aceitar todo o tipo de trabalhos. Contudo, embora seja bom desafiar-se, é imprescindível ter noção dos limites das suas capacidades e, sobretudo, da especificidade de cada tipo de texto.
  2. É necessário prestar atenção ao prazo de entrega e ao seu cumprimento, tendo em conta a tecnicidade e o número de palavras do texto de partida, para que não exista o risco de entregar o projeto fora de horas. Caso considere o prazo demasiado curto, pode sempre optar por pedir um prazo mais extenso.
  3. É fundamental ler com atenção os detalhes que dizem respeito aos valores pagos. A partir do momento em que dá o seu OK, parte-se do princípio de que todos os pormenores estão acertados e não será possível solicitar alterações posteriormente. Caso não esteja de acordo com os valores propostos ou detete alguma falha nos cálculos que originaram o budget para o projeto, deve informar imediatamente o seu GP. Na SMARTIDIOM em particular, todas as negociações de tarifas são levadas a cabo com o Global Vendor Manager e nunca pelo Gestor de Projetos, que não tem autorização para o fazer. De qualquer das formas, ao informar o GP, este irá encaminhá-lo para o contacto correto dentro da organização e fazer o ponto de contacto com o mesmo.
  4. Ainda nesta fase, é importante colocar sempre as dúvidas relativas ao projeto e procurar que sejam esclarecidas antes da entrega – o Gestor de Projetos é a pessoa que conhece todos os detalhes do seu projeto. Quer se trate de prazos, de problemas ou dúvidas relativas ao documento, é sempre a pessoa a quem deve recorrer. Como tal, é fulcral que o tradutor esclareça, se possível, todos os pormenores antes do início do projeto ou, no máximo, no decorrer do mesmo, para que não aconteçam surpresas desagradáveis para todas as partes envolvidas. Só assim será possível assegurar que o projeto chega a bom porto.

 

Na fase de execução do projeto:

 

  1. É importante colocar sempre as dúvidas relativas à tradução de forma direta e sem receios – por mais descabido que possa parecer, é frequente os tradutores tenderem a evitar colocar essas mesmas dúvidas ao GP. É mais do que frequente também, no decorrer do projeto, surgirem inúmeras dúvidas e questões, dependendo de variadíssimos fatores tais como o nível de domínio das línguas que formam o par de trabalho, o grau de dificuldade e especificidade do texto, o grau de qualidade da redação do texto original, entre outros. O GP é o elo de ligação entre o tradutor e o cliente. Como tal, torna-se mais eficaz colocar quaisquer dúvidas diretamente ao Gestor de Projetos, para que este possa reencaminhá-las para o cliente e obter, desta forma, uma resposta esclarecedora tanto para o tradutor como para o revisor.
  2. É muito útil (e até atencioso da sua parte), sobretudo em projetos maiores e mais longos do que o normal, ir fornecendo feedback ao GP sobre os seus progressos na execução do projeto. Enquanto GP, uma das piores coisas que me pode acontecer é enviar a um tradutor todos os materiais e detalhes de um determinado projeto, pedir-lhe confirmação da receção dos ficheiros, ficar descansada (ou quase) quanto à entrega atempada do projeto e receber um email no dia da entrega a dizer que o projeto está atrasado ou, na pior das hipóteses, que não poderá ser entregue porque o prazo é curto e a tradução de 20 páginas não fluiu como seria de esperar. Lembre-se: quanto mais precoce for o seu alerta ao GP de que algo não está a seguir o curso normal, melhor.
  3. É obrigatório cumprir à risca as instruções que o seu GP lhe comunicou para o projeto. Sei que as suas intenções são as melhores quando, ao ver um erro crasso num segmento com 100% match, decide alterar e corrigir esse erro no ficheiro que está a traduzir. Deve fazê-lo sempre, EXCETO quando o seu Gestor de Projetos lhe tiver pedido especificamente que a memória de tradução tem de ser seguida escrupulosamente e que, se encontrar erros no ficheiro, os deve apenas comunicar num relatório de erros enviado separadamente para que possa ser apresentado ao cliente.

 

Na fase pré-entrega da tradução:

 

  1. É muito importante, antes do envio de um projeto, realizar uma verificação integral e extensiva do produto final, por forma a certificar-se de que o texto não contém nenhum erro ortográfico, tipográfico ou de tradução, garantindo assim a qualidade da tradução.
  2. É primordial garantir que o projeto é enviado ao GP no formato solicitado. Caso não tenha sido especificado nenhum formato particular, o ficheiro traduzido deve ser entregue pelo tradutor no formato original.
  3. É de bom tom (e se quiser brilhar à séria), caso restem dúvidas ou haja necessidade de especificar ou salientar algum aspeto relativo à tradução (como, por exemplo, um erro ortográfico ou uma incongruência no texto de partida), enviar uma nota no e-mail de entrega do projeto onde constem estas informações. Esta nota deverá ser dirigida ao Gestor de Projetos, para que o mesmo possa, posteriormente, agir em conformidade e abordar essas questões com o cliente.
  4. Uma vez mais, é forçoso entregar um trabalho com qualidade. Qualquer GP deseja receber um projeto que não o obrigue a perder muito tempo nos controlos de qualidade finais antes da entrega ao cliente. Quando o tradutor entrega um trabalho de qualidade insatisfatória, tal ato traz consequências para o GP e para a empresa, para o cliente e, inevitavelmente, para o tradutor que executou a tarefa. Efetivamente, um trabalho pobre a nível qualitativo resulta, quase sempre, na procura de novos recursos para trabalharem no projeto, custos adicionais desnecessários, esforços redobrados por parte do GP nos controlos de qualidade, tudo isto em contrarrelógio. É fácil deduzir, então, que um Gestor de Projetos prefira trabalhar com um recurso fiável do que lançar-se, conscientemente, no árido deserto que é trabalhar com um recurso que não dá mostras de ser capaz de entregar projetos bem executados.

 

Estou convicta que se o seu Gestor de Projetos o procura muitas vezes, este é, por si só, um sinal de que está satisfeito com o seu trabalho. Não tenho dúvidas de que um trabalho com qualidade e uma colaboração que tenha dado frutos sem qualquer percalço faz com que o tradutor continue a ser, sem sombra de dúvidas, uma escolha provável num projeto futuro… e é isso que tanto o GP como o tradutor desejam certamente que aconteça.

 

Costuma comunicar abertamente com os GP? Expõe sempre qualquer tipo de dúvida, sem receios, quer seja antes, quer durante a realização dos projetos? Existe algum outro conselho que queira dar para fomentar uma relação saudável entre GP e tradutor? Fale-nos da sua experiência!